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20/07/2010

Rio: noiva de Bruno presta depoimento na Polinter

A noiva do goleiro Bruno, a dentista Ingrid Calheiros Oliveira, 24 anos, esteve ontem à tarde, por pouco mais de uma hora, prestando depoimento na sede da Polinter, no Andaraí, na zona norte do Rio de Janeiro. Ela foi ouvida pela polícia carioca a pedido da Delegacia de Homicídios de Minas Gerais no inquérito que apura a morte de Eliza Samudio, ex-amante do jogador. A jovem, acompanhada por dois advogados, saiu sem dar entrevistas.

Apesar de os agentes não terem divulgado o teor do depoimento, Ingrid teria confirmado o relacionamento com Bruno, que já dura dois anos, e que ao conhecer outra amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, ela lhe foi apresentada como uma das namoradas do melhor amigo do jogador, Luiz Henrique Romão, o Macarrão.

Ingrid já não usa mais a aliança de noivado na mão direita, como contou em entrevista ao jornal O Dia na semana passada. As declarações da jovem pouco acrescentaram na investigação, pois Bruno teria dito a ela que iria a Minas Gerais visitar as filhas entre os dias 5 e 10 de junho.

O que a polícia já sabe, entretanto, é que foi Fernanda quem viajou ao lado de Bruno na BMW X5 preta, na noite do dia 5, depois de ele defender o Flamengo contra o Goiás, no Maracanã. Do Recreio dos Bandeirantes, os dois seguiram para Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte, e chegaram ao Motel Palace, em Contagem, por volta das 7h15 do dia 6. Tudo isso a loura terá de explicar à polícia hoje, em seu depoimento no Departamento de Investigação de Homicídios da polícia de Minas.

Bruno e Fernanda teriam ficado num quarto, enquanto Eliza era mantida em cárcere por Macarrão e pelo menor J., de 17 anos, primo do goleiro. Na saída, por volta de 13h20, a conta dos dois quartos alugados, no valor de R$ 431,90, foi paga com o cartão de débito do goleiro.

Depois disso, o atleta e a amante teriam voltado a Ribeirão das Neves, onde houve um jogo do 100% FC, time amador bancado por Bruno. Ela dormiu no sítio naquela noite e, na tarde do dia 7, voltou ao Rio com Macarrão para devolver a BMW.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.