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22/07/2010

Suposta amante de Bruno inocenta atleta e incrimina Macarrão

A culpa pelo desaparecimento da estudante Eliza Samudio é de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, segundo a suposta amante do goleiro Bruno Souza, Fernanda Gomes Castro. Em entrevista concedida nesta quinta-feira ao programa Mais Você, da TV Globo, Fernanda tentou inocentar o atleta e incriminar seu braço direito no caso.

"Tinha uns parentes do Bruno, inclusive a mãe, que vieram passar um período de descanso no Rio de Janeiro. Um dia antes deles irem, Bruno me pediu para dormir na casa dele para me despedir dela na sexta-feira. Pela manhã eu me despedi dela e voltei para minha casa porque não tinha mais o que fazer lá. Mais tarde, Macarrão me passou um rádio muito nervoso me pedindo para que eu voltasse lá (casa de Bruno). Bruno tinha ido treinar e depois ficaria concentrado para o jogo do Flamengo. Quando voltei, encontrei um bebê", disse Fernanda.

A partir daí, segundo Fernanda, Macarrão teria contado de quem seria a criança. A mulher, moradora de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, afirmou, no entanto, nunca ter visto Eliza Samudio.

"Ele me disse que a criança era de uma amiga dele que havia sofrido um assalto e que estava no hospital. Então ele me pediu para cuidar do bebê, acabei cuidando dele, estava chorando muito, e dormi lá com a criança. No dia seguinte perguntei a Macarrão onde estava a mãe do garotinho, ele disse que a menina estava melhor, mas que tinha ido à delegacia para prestar depoimento sobre o assalto. Por volta de meio-dia fui para minha casa para arrumar minhas bolsas para viajar com o Bruno e quando voltei, por volta de 17h, perguntei pela criança. Ele me disse que a mãe já tinha ido buscar o bebê e que estava tudo bem. Nunca me encontrei com Eliza", afirmou.

Vida religiosa
"Estou desesperada. Não com medo da Justiça, porque estou com a consciência tranquila, mas meus filhos estão sofrendo muito. Eles não conseguem mais ir à escola, as pessoas ficam me apontando na rua. No outro dia estava no aeroporto e vi pessoas cochichando. Eu tinha uma vida muito tranquila, tinha meus trabalhos na igreja. Faço trabalhos na minha pastoral e não tenho consiguido fazer nada. Todos os dias tem gente da imprensa na minha porta", disse.

Casamento
Durante a entrevista, Fernanda confirmou que pretendia se casar com o goleiro. "Esta notícia é verdadeira. Eu me casaria com ele (Bruno). Ele é um menino de 1,91m e é uma criança grande que tem medo de escuro. Ele está sofrendo muito. Eu queria que as pessoas parassem de julgar. Deixem a Justiça agir", afirmou.

Detalhes da ida ao motel
"Ele me levou para lá (Minas Gerais) e nós iríamos dormir na casa da mãe dele. Como estava de madrugada, ele não quis acordá-la e daí fomos andar pela cidade. Ele quis me mostrar onde nasceu e ainda disse: 'você não se importa de ir por que é na favela?'. Eu disse: 'claro que não'. Ele também me levou para comer um bolinho, que dizia que era o melhor da cidade, e depois fomos para o motel. Apenas eu e o Bruno", disse.

Demora para se apresentar à Justiça "Já tinha vontade de me apresentar para prestar esclarecimentos, mas no dia passei muito mal. Eu tenho cálculo na vesícula e nesta semana tive uma crise horrível", afirmou.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.