| 09/07/2010 
Pesquisa aponta maior prevalência de dor crônica em mulheres
Ninguém gosta de ter dor. Por menor que ela seja, incomoda e, às vezes, impede de realizar as atividades do dia-a-dia. Imagine então quando a dor é crônica - aquela que persiste por meses e atormenta o paciente pelo menos três vezes por semana? Com certeza não é fácil.
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Esse tipo de dor costuma aparecer mais em pessoas que estão acima do peso ideal (46,1%), pelo menos na cidade de São Paulo. Foi isso que apontou a 2ª fase do EPIDOR - Estudo Epidemiológico da Dor no Município paulista. A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e patrocinada pela Janssen-Cilag Indústria Farmacêutica. Foram ouvidos 2446 moradores de vários bairros da cidade - que foi escolhida por sua representatividade populacional, semelhante a do Brasil - e maiores de 18 anos.
Conforme o estudo, os mais afetados são os aposentados (36%), os autônomos (35,7%) e as donas de casa (33,3%)! E não só elas, mas as mulheres, em geral, precisam mesmo tomar cuidado, já que a maior prevalência dessa dor em estágio crônico é em indivíduos do sexo feminino (34%).
De acordo com o Rogério Teixeira da Silva, do Comitê de Traumatologia Esportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as mulheres desenvolvem doenças como a fibromialgia com bastante frequência. "A artrite reumatóide, por exemplo, atinge uma média de cinco a sete mulheres para cada homem. Acredita-se que a maior ocorrência em indivíduos do sexo feminino seja por razões hormonais, mas não há provas concretas".
O levantamento mostrou ainda a prevalência de dores crônicas nos membros inferiores (22%) e nas costas (21%). "Os dados confirmam as reclamações da maioria dos pacientes atendidos nos consultórios", observa o ortopedista Rogério.
Os locais mais doloridos nos paulistanos podem ser resultado do estilo de vida. Afinal, a maioria das pessoas vive em grandes cidades e, consequentemente, passa várias horas por dia sentada da maneira errada, forçando a coluna. Além disso, por falta de orientação ou de vontade mesmo, não aprendem a se abaixar e levantar de uma forma que não prejudique a região lombar.
O estudo destacou outra informação alarmante: muita gente que sofre com dores crônicas não utiliza nenhum tipo de tratamento. Entre os indivíduos que se queixaram de dor nos membros inferiores, isso acontece em 54,6% dos casos; entre os que apresentaram dores nas costas o número é menor, mas expressivo: 45,1%. "Essa constatação é muito séria, pois o correto é tratar a dor ainda na fase aguda (aquela que ainda se encontra no estado inicial), para que o quadro não se agrave", diz Rogério. Ele explica que o organismo pode criar uma memória da dor se não a tratarmos desde que ela surge. Nessa situação, a causa pode ser combatida, mas a dor em si, não.
Para não correr esse risco, o ortopedista ensina que os pacientes podem tomar um analgésico leve - Paracetamol, Dipirona, etc. - se sentirem uma dor, por até duas semanas. Se não melhorarem, devem procurar orientação médica. Quando o assunto são os relaxantes musculares, cuidado. "Em geral, tais remédios só fazem efeito depois de dois ou três dias de uso. Por isso, o ideal é consultar um especialista para saber quanto tempo eles deverão ser ingeridos", fala Rogério.
Quem estuda menos (tanto os homens quanto as mulheres) também tem mais dores crônicas. Entre os analfabetos, o índice é de 33,7%, enquanto nas pessoas com mais de 15 anos de estudo a porcentagem cai para 23,5%. O dado pode ilustrar que a falta de conhecimento impede que dores sejam tratadas enquanto ainda são agudas, evoluindo para o estágio mais grave e se tornando crônicas.
De acordo com o ortopedista, a dica para evitar as dores crônicas é evitar o sobrepeso. Para tanto, leve uma vida saudável, praticando exercícios físicos regularmente e aposte numa alimentação balanceada. E não ignore as dores mais leves; se elas persistirem por algum tempo, procure um médico. Afinal, como diz o velho ditado, é bem melhor prevenir que remediar.
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